Os 5 países e regiões que serão inabitáveis em 2050, segundo a NASA

Os 5 países e regiões que serão inabitáveis em 2050, segundo a NASA

25/03/2026 0 Por jk.alien

A ciência climática avançou a um ponto onde é possível prever não apenas o aumento das temperaturas, mas exatamente onde o corpo humano deixará de suportar o ambiente externo. Estudos recentes da NASA, baseados em monitoramento via satélite, indicam que o aquecimento global está redesenhando o mapa da habitabilidade terrestre. Entre os anos de 2050 e 2070, diversas regiões do planeta podem atingir níveis de calor e umidade que tornam a sobrevivência impossível sem auxílio tecnológico constante.

Essa análise não se baseia apenas no que marca o termômetro comum da sua janela. Os pesquisadores utilizam uma métrica mais rigorosa para medir o estresse térmico. O foco recai sobre áreas onde a combinação de fatores climáticos impede que o suor evapore, eliminando o mecanismo natural de resfriamento do corpo humano. Se o organismo não consegue dissipar calor, a temperatura interna sobe rapidamente, levando a falências orgânicas em poucas horas.

A métrica do bulbo úmido

Para entender o perigo, é preciso diferenciar o índice de calor comum da temperatura de bulbo úmido. O índice de calor que vemos nos telejornais combina a temperatura do ar com a umidade relativa, mas é calculado para áreas sob a sombra. Já o bulbo úmido mede o limite mais baixo de resfriamento que um objeto pode atingir através da evaporação da água.

Antigamente, essa medição era feita de forma manual, envolvendo um termômetro em um pano molhado e expondo-o ao vento. Hoje, a NASA utiliza sensores eletrônicos avançados em estações terrestres e satélites para obter esse dado com precisão global. Quando o índice de bulbo úmido atinge um determinado patamar, a umidade do ar está tão alta que o suor de uma pessoa simplesmente não seca na pele.

A maioria das áreas tropicais e quentes do mundo registra atualmente índices de bulbo úmido entre 25°C e 27°C. Embora essa faixa cause grande desconforto e exija cautela em atividades físicas, ela ainda permite a vida ao ar livre. O problema surge quando esse número sobe, aproximando-se do limite biológico da nossa espécie.

O limite da resistência humana

Cientistas estabeleceram que o limite máximo de sobrevivência para um ser humano saudável é um índice de bulbo úmido de 35°C por um período de seis horas. Após esse intervalo, se a pessoa não for levada para um ambiente refrigerado ou seco, o risco de morte é praticamente certo. O corpo perde a capacidade de autorregulação e a temperatura interna dispara.

Surpreendentemente, esse limite de 35°C já foi detectado em situações isoladas nos últimos 15 anos. Os registros ocorreram principalmente em zonas específicas da Ásia e do Oriente Médio. O monitoramento constante mostra que esses eventos, antes raros, estão se tornando mais frequentes e duradouros, indicando uma tendência irreversível para as próximas três décadas.

https://twitter.com/NASAClimate/status/1504197492572712960?s=20

Zonas críticas para as próximas décadas

As projeções da NASA apontam que, até 2050, grandes extensões territoriais no Sul da Ásia enfrentarão crises de habitabilidade. O Paquistão é citado como um dos locais mais vulneráveis, onde as ondas de calor úmido já testam os limites da população local. A geografia da região contribui para o aprisionamento de massas de ar quentes e extremamente saturadas de umidade.

O Golfo Pérsico é outra região sob alerta máximo. Países localizados ao redor dessa bacia marítima possuem uma combinação perigosa de deserto escaldante e alta evaporação das águas oceânicas. O mesmo cenário se aplica às nações que possuem litoral no Mar Mar Vermelho. Nessas áreas, a vida urbana pode se tornar inviável sem uma infraestrutura de climatização onipresente, o que exclui grande parte da população de baixa renda.

O cenário para Brasil e China

Embora o ano de 2050 marque o início crítico para o Oriente Médio e Sul da Ásia, o horizonte de 2070 traz novas preocupações para outras potências globais. O leste da China, uma das áreas mais densamente povoadas do planeta, está na rota direta do calor extremo. A atividade industrial e a geografia local potencializam o efeito estufa regional, elevando o bulbo úmido para níveis fatais.

O Brasil também figura na lista de áreas de risco elevado. Partes do território brasileiro podem enfrentar condições de calor e umidade incompatíveis com a biologia humana nas próximas décadas. Além disso, alguns estados dos Estados Unidos, especialmente no sul e sudeste, devem registrar picos de temperatura de bulbo úmido que desafiarão a saúde pública e a produtividade econômica.

O perigo em índices menores

É um erro acreditar que o perigo existe apenas quando o bulbo úmido toca os 35°C. A história recente mostra que o calor mata muito antes de atingir o limite teórico máximo. Em 2021, uma forte onda de calor atingiu o noroeste dos Estados Unidos e o oeste do Canadá. Naquela ocasião, o índice de bulbo úmido não passou dos 25°C, mas o evento resultou na morte de 1.400 pessoas.

Nos Estados Unidos, o calor extremo já é o evento meteorológico que mais causa óbitos anualmente, superando fenômenos visivelmente mais destrutivos, como furacões, tornados e enchentes. Em média, 143 mortes diretas são registradas todos os anos no país apenas por estresse térmico. O aumento gradual das temperaturas mínimas impede que o corpo descanse durante a noite, acumulando o desgaste físico.

A perspectiva do IPCC

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) reforça os dados da NASA com previsões sobre a frequência desses eventos. Se o aquecimento global atingir 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, os episódios de calor extremo devem ocorrer quatro vezes mais do que no século passado. Isso significa que mesmo regiões que não atingirem o índice de 35°C sofrerão com o aumento da mortalidade e colapsos nos sistemas de saúde.

A transformação de países em locais inabitáveis gera uma pressão migratória sem precedentes. Quando o ambiente externo se torna hostil à biologia humana, a manutenção da agricultura, da construção civil e de qualquer trabalho manual ao ar livre é interrompida. O monitoramento por satélite serve como o diagnóstico atual de um planeta que está alterando suas condições básicas de suporte à vida.