‘NAVIO DE OURO’ | Tommy Thompson, um dos responsáveis por localizar um dos mais valiosos naufrágios da história dos Estados Unidos, deixou a prisão após quase dez anos detido
11/03/2026
Thompson ganhou notoriedade em 1988 ao liderar a equipe que encontrou os destroços do SS Central America, navio que afundou em 1857 durante um furacão no Oceano Atlântico, próximo à costa da Carolina do Sul, levando consigo cerca de 30 mil libras de ouro.
Apesar da descoberta histórica, Thompson acabou envolvido em uma longa batalha judicial. Investidores que financiaram a expedição entraram com um processo em 2005, alegando não terem recebido recursos da venda de parte do ouro recuperado, avaliada em cerca de US$ 50 milhões, incluindo barras e milhares de moedas.
Contratado para recuperar o ouro que se perdeu no naufrágio de um navio no século XIX, o ex-caçador de tesouros Tommy Thompson completa cinco anos de prisão neste mês de dezembro. Ele foi detido após se recusar a revelar o paradeiro das moedas recuperadas na expedição.
O caso começou em 1988, quando investidores pagaram o pesquisador para encontrar a fortuna do navio SS Central America. A embarcação partiu do porto do Panamá em 3 de setembro de 1857, carregando uma quantidade de ouro cujo valor atualizado é de US$ 550 milhões, equivalente a R$ 2,8 bilhões.
Ao passar por um furacão na costa da Carolina do Sul, oito dias depois, o “Navio do Ouro” naufragou, matando 425 pessoas. Desde então, iniciou-se uma verdadeira caça ao tesouro no fundo do mar.

Thompson é uma das pessoas que foram até lá e teria recuperado o equivalente a US$ 4 milhões em moedas e barras de ouro, mas nunca as entregou aos seus contratantes. Com isso, ele foi processado.
A prisão
Em 2012, a justiça americana mandou prendê-lo após o não comparecimento a uma audiência para revelar o paradeiro das moedas. Ele então fugiu e viveu escondido por três anos, até ser capturado em 2015.
O engenheiro foi condenado a dois anos de prisão e multado em US$ 250 mil. Porém, a sentença foi suspensa devido a um acordo, no qual a pena seria reduzida se ele fornecesse informações sobre a localização da fortuna.

O preso não cumpriu o acordo e foi novamente condenado, em dezembro de 2015, agora por desacato ao tribunal. O juiz ordenou que ele ficasse na cadeia até responder às perguntas, devendo pagar uma multa diária de US$ 1 mil.
Problema de memória
Em outubro, o ex-caçador alegou sofrer de uma síndrome de fadiga crônica que resulta em problemas de memória de curto prazo. Por isso, não se lembra do paradeiro do tesouro, mas a justificativa não convenceu o juiz.
Assim, já se passaram 1,7 mil dias sem qualquer pista dada por ele e US$ 1,8 milhão em multas acumuladas. Enquanto isso, sua defesa argumenta que a pena por desacato, de 18 meses, já foi cumprida e ele deve ser libertado.


