Misterioso mecanismo milenar era na verdade um computador astronômico

A cada dia que se passa, mais percebemos que os povos antigos sabiam muito mais sobre os céus do que imaginamos…

Após uma década de pesquisas e de imageamentos de alta tecnologia, o mistério do intrigante dispositivo chamado Mecanismo de Antikythera (ou Máquina de Anticítera) foi finalmente solucionado. Essa peça curiosa foi encontrada há mais de um século, em um navio naufragado próximo à ilha grega de Antikythera. O resultado das pesquisas? Trata-se de um computador astronômico.

Os arqueólogos já suspeitavam que o mecanismo tinha alguma ligação com a Astronomia, porém, como a maior parte dos escritos do instrumento eram indecifráveis, haviam muitas dúvidas. Mas após 10 anos de esforços para entender qual era a função daquele curioso equipamento, um método de digitalização de alta tecnologia revelou grande parte do texto ilegível do instrumento.

O Mecanismo de Antikythera tem cerca de 14.000 caracteres de texto, e desde sua descoberta, feita há mais de um século, muito pouco desse texto era legível. Apenas algumas centenas de caracteres foram decifrados. As sugestões apontavam para um uso astronômico, mas por conta da falta de detalhes, não era possível uma confirmação.

Mas para a surpresa de todos nós, a equipe responsável pelo estudo confirmou que o Mecanismo de Antikythera era um calendário astronômico. Ela mostrava a posição dos planetas, do Sol, da Lua e do Zodíaco. Mostrava também as fases da Lua e previa eclipses.

Segundo a própria equipe, essa era uma ferramenta de ensino, ou uma espécie de guia galático.

Recriação do Mecanismo de Antikythera, feita em 2007.
Créditos: I Mogi / Wikimedia Commons
Os caracteres foram gravados na parte dianteira, traseira e interna do equipamento. Algumas escritas eram muito pequenas, com apenas cerca de 1,2 mm de altura. O dispositivo em si tinha o tamanho de uma pasta de arquivos escritório; ficava contido numa caixa de madeira, e era operado com uma manivela, como mostra a imagem acima.

Na época em que o dispositivo foi encontrado, ele se tornou um dos achados mais intrigantes e misteriosos, afinal, era comum encontrar copos de luxo, vasos de cerâmica e estátuas de bronze ou mármore, mas não um mecanismo diferente de tudo que já havia sido visto em um naufrágio. Nem sequer haviam relógios mecânicos na época em que o tal mecanismo foi construído.

O professor Mike Edmunds, da Universidade de Cardiff, é o Presidente do Projeto de Pesquisas do Mecanismo de Antikythera. Ele disse: “Este dispositivo é simplesmente extraordinário e único. O design é bonito e sua Astronomia é exata. A forma que sua mecânica foi projetada é de fazer cair o queixo. Quem quer que tenha feito isso, o fez com muito cuidado.”

Na verdade, um dispositivo com tamanha complexidade não apareceria na face da Terra por mais mil anos.

Mecanismo de Antikythera em exposição. Créditos: divulgação
O dispositivo em si está incompleto. Os fragmentos que foram encontrados vieram de um naufrágio descoberto em 1901. Esse navio era do primeiro século a.C., e muito grande para sua época (40 metros de comprimento). Espera-se que os fragmentos adicionais sejam encontrados por mergulhadores, que continuam explorando o naufrágio. Mas apesar de incompleto, a maior parte das inscrições estão lá, com 20 engrenagens que mostravam a posição de corpos celestes.

De acordo com a equipe responsável pelo imageamento do dispositivo, foi decifrado praticamente todo o texto dos 82 fragmentos encontrados. De qualquer forma, a equipe continua estudando o mecanismo para ter certeza de que não há textos adicionais ainda não decifrados.

Até pouco tempo atrás, acreditava-se que o Mecanismo de Antikythera era um tipo de mecanismo para auxílio à navegação, porém, os novos resultados revelam que sua genialidade (e de quem quer que o tenha construído) foi além de qualquer expectativa. O aparelho é preciso em seus cálculos astronômicos, além de ser capaz de prever eclipses lunares e solares por séculos a frente.

Os antigos gregos provavelmente tinham um conhecimento astronômico fantástico, e essa espécie de computador prova isso. Mas como é que tanto conhecimento se perdeu ao longo do tempo? Como é possível que a praticamente 2.000 anos atrás, estudiosos conheciam a engrenagem do nosso Sistema Solar com perfeição, sendo que há alguns séculos não se tinha uma fração de todo esse conhecimento?

Tudo teria sido apagado pelas “fogueiras flamejantes de ignorância” da Idade das Trevas?

Estaria nossa civilização fadada a um ciclo? Será que daqui a mil anos as pessoas saberão que nós já enviamos uma sonda pra Plutão? Será que no futuro, sequer terão conhecimento de Plutão?

Imagens: (capa-ilustração/divulgação) / I Mogi / Wikimedia Commons / divulgação / Galeria do Meteorito 

– KF

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