Encontraram o “irmão” perdido da Lua posicionado atrás de Marte

Existe um asteroide atrás de Marte com composição muito parecida com a da Lua. Essa rocha, encontrada por uma equipe internacional de cientistas planetários liderados por astrônomos do Armagh Observatory and Planetarium (AOP), pode ser o que restou dos detritos do período em que a Lua foi formada — a teoria mais aceita aqui é a de que a Lua é resultado da união dos detritos restantes de um enorme impacto entre o planeta Theia com a Terra, há bilhões de anos. Agora, a equipe realizou a investigação mais detalhada já feita sobre a mineralogia da rocha em questão.

O asteroide é um troiano, uma rocha que segue os planetas em suas órbitas assim como um rebanho de ovelhas seguem o pastor. Essa relação curiosa acontece porque eles são “presos” gravitacionalmente ao planeta, e representam o material que restou da formação e evolução do Sistema Solar inicial. Existem troianos ao longo da órbita de Júpiter e, mais perto do Sol, apenas alguns troianos de Marte foram identificados. Esses objetos podem ajudar a saber mais sobre o histórico inicial dos mundos rochosos do Sistema Solar.

Os poucos troianos de Marte que conhecemos são a única população conhecida de asteroides estáveis na região dos planetas terrestres (Imagem: Reprodução/Luc Debeck)

Para identificar a composição dos troianos de Marte, a equipe usou o espectrômetro X-SHOOTER, montado no Very Large Telescope (VLT), que observa como a superfície do asteroide reflete as cores da luz solar em seu espectro. Com a taxonomia (a comparação desses dados com os do espectro de corpos de outros sistemas de composição conhecida), a equipe esperava determinar se o asteroide era feito de materiais similares a planetas rochosos como a Terra ou se era apenas matéria rica em carbono e água.

Um dos troianos observados foi o asteroide (101429) 1998 VF31, cujos dados sugeriam que se tratava de um condrito ordinário, uma classe comum de meteoritos. A coleta de luz do VLT permitiu obter dados da mais alta qualidade e, ao combinar essas novas medidas com dados coletados pelo telescópio Infrared Telescope Facility, da NASA, a equipe tentou então classificar a rocha, e tiveram uma surpresa: o espectro não tinha boa correspondência com nenhum tipo de meteorito ou asteroide, e combinava melhor com o da Lua.

Dr Galin Borisov, pesquisador envolvido na análise do espectro, explica: “muito do espectro que temos para asteroides não é muito diferente da Lua, mas quando você olha de perto, existem diferenças importantes, como a forma e a absorção do espectro”. Um exemplo dessas diferenças está na forma e profundidade das absorções do espectro, mas o espectro do asteroide misterioso parece ser quase idêntico a partes expostas da Lua. Com isso, eles propõem alguns cenários: o objeto pode ser outro asteroide que conseguiu uma aparência similar à Lua depois de longos anos de exposição à radiação solar, ou talvez tenha semelhanças com nosso satélite natural por vir de lá.

Representação de Marte e troianos circulando os pontos de Lagrange L4 e L5 (Imagem: Reprodução/Armagh Observatory)

Um cenário mais provável, entretanto, sugere que o objeto tenha vindo de Marte mesmo. Christou aponta que a forma do espectro do objeto mostra que ele é rico em piroxênio, um mineral encontrado na crosta de corpos com tamanho de planetas. Nisso, Marte, assim como a Lua e a Terra, sofreu impactos no início de sua história e alguns deles foram colossais — um desses poderia facilmente ter lançado o 101429 para o ponto de Lagrange L5. E já foi proposta uma origem marciana há alguns anos para os “parentes” do 101429.

O 101429 e seu parente podem nos ensinar sobre os troianos da Terra — isso se existirem, claro. Trabalhos anteriores da equipe já mostraram que a radiação solar faz com que os detritos desses asteroides saiam das nuvens troianas de Marte, então, se os troianos da Terra tiverem o mínimo de semelhança com os do Planeta Vermelho, o mesmo mecanismo iria funcionar como uma fonte de pequenos asteroides perto da Terra que se destacam devido à composição.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Icarus.

Fonte: AOP

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