Comandantes de Trump são acusados de dizer às tropas dos EUA para se prepararem para o Armagedom

Comandantes de Trump são acusados de dizer às tropas dos EUA para se prepararem para o Armagedom

04/03/2026 0 Por jk.alien

Acusações incomuns começaram a circular dentro das Forças Armadas dos Estados Unidos após uma ofensiva militar conjunta com Israel contra o Irã. Relatos de soldados indicam que alguns comandantes teriam associado a operação militar a uma missão religiosa, afirmando que o presidente Donald Trump estaria agindo sob uma espécie de propósito divino.

O episódio teria ocorrido após uma série de ataques lançados no final de fevereiro contra várias cidades iranianas. A operação militar resultou na morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, e provocou forte instabilidade política em diferentes regiões do Oriente Médio.

Com a escalada do conflito, surgiram denúncias feitas por militares que afirmam ter ouvido discursos religiosos durante instruções e reuniões internas. As alegações foram encaminhadas à Military Religious Freedom Foundation, organização que atua em casos relacionados à liberdade religiosa dentro das forças armadas dos Estados Unidos.

Segundo a entidade, mais de 110 queixas foram registradas por soldados pertencentes a cerca de 40 unidades militares diferentes. Os relatos começaram a surgir logo após o início dos ataques ao Irã.

Um dos depoimentos mais detalhados foi divulgado por meio do Substack do jornalista Jonathan Larsen. O relato descreve uma reunião em que um comandante de uma unidade de combate teria orientado oficiais subordinados a transmitir uma mensagem específica às tropas.

De acordo com o militar que apresentou a denúncia, o comandante afirmou que os ataques ao Irã fariam parte de um plano divino. Ele teria dito aos subordinados que a ofensiva militar era “tudo parte do plano divino de Deus”.

O relato afirma ainda que o comandante citou diversas passagens do Livro do Apocalipse ao falar com os militares. Segundo o denunciante, ele mencionou referências relacionadas ao Armagedom e ao retorno iminente de Jesus Cristo.

Em um trecho da queixa, o militar descreveu outra frase atribuída ao oficial. Segundo ele, o comandante declarou que o presidente dos Estados Unidos teria sido escolhido para iniciar eventos ligados ao fim dos tempos.

“O presidente Trump foi ungido por Jesus para acender o sinal de fogo no Irã e provocar o Armagedom, marcando o retorno dele à Terra”, teria dito o comandante.

O denunciante acrescentou que o oficial parecia satisfeito ao fazer as declarações.

“Ele estava com um grande sorriso no rosto quando disse tudo isso, o que fez a mensagem parecer ainda mais absurda”, afirmou o militar.

Segundo o documento, a queixa foi apresentada em nome de 15 integrantes da mesma unidade. Entre eles estavam 11 cristãos, um muçulmano e um judeu.

Denúncias dentro de unidades militares

Os soldados envolvidos na denúncia estariam em status de prontidão de apoio. Isso significa que podem ser enviados ao Oriente Médio a qualquer momento para participar de operações militares.

De acordo com o relato, o comandante responsável pela unidade já teria histórico de manifestações religiosas durante atividades militares.

“O nosso comandante provavelmente seria descrito como alguém do tipo ‘cristão primeiro’. Ele é assim há muito tempo e deixa claro que deseja que todos nós sob seu comando nos tornemos cristãos como ele”, diz outro trecho da denúncia.

A Military Religious Freedom Foundation afirma que relatos semelhantes começaram a chegar de diversas unidades diferentes após o início da ofensiva contra o Irã.

Regras militares sobre religião

A legislação militar dos Estados Unidos possui regras específicas sobre o tema. O Código Uniforme de Justiça Militar estabelece que nenhum integrante das forças armadas pode pressionar subordinados a adotar crenças religiosas.

Segundo Mikey Weinstein, fundador e presidente da Military Religious Freedom Foundation, o volume de denúncias aumentou rapidamente nos últimos dias. Ele afirmou que a organização foi “inundada” com reclamações semelhantes vindas de diferentes bases e unidades militares.

Enquanto as acusações circulavam, autoridades do governo americano apresentaram uma versão diferente dos acontecimentos. Um representante da Casa Branca declarou que não há evidências de que comandantes estejam utilizando textos religiosos ao falar com tropas.

Segundo o governo, o objetivo da operação militar no Irã estaria focado em alvos estratégicos ligados à capacidade militar do país, incluindo sistemas de mísseis, forças navais e instalações da indústria de armamentos.