Cientista diz que pode haver dinossauros na Lua. E a ideia faz sentido

Dinossauros na Lua? Não, não é a sinopse de mais um excelente filme ruim do SyFy, é uma hipótese que por incrível que pareça é até… provável

Dinossauros na Lua? Isso é insano. Sabemos que há incas em Vênus, Kardecistas em Júpiter (sério), na Lua temos o Vigia, Inumanos e até Mulheres Amazonas, mas agora uma ideia foi proposta e desafia até a ficção: Há uma possibilidade de termos dinossauros reais por lá.

Calma, eles muito provavelmente estão mortos, ou estão bem velhinhos, mas o conceito é fascinante.

Em algum momento, 66 milhões de anos atrás o mundo viveu seu último dia perfeito. Pastando, caçando, dormindo ou coelhando (embora tecnicamente coelhos só surgiriam bem mais tarde) milhões de dinossauros testemunharam o céu pegar fogo. Vindo de muito, muito longe um meteoro com algo entre 11 e 80Km de diâmetro rasgou a atmosfera a mais de 20Km/s.

Grande demais para ser afetado pela pressão do ar à sua frente, ele atingiu o chão intacto, percorrendo a distância entre a altitude de cruzeiro e o nível do mar em 0.3 segundos.

Em número de Hiroshimas, a energia do impacto foi calculada como algo entre 21 e 921. Bilhões. 921 bilhões de detonações nucleares, ali, no mesmo ponto, ao mesmo tempo.

Isso jogou uma quantidade imensa de detritos na atmosfera, escurecendo o planeta por décadas. Plantas morreram, animais que comiam plantas morreram, animais que comiam animais que comiam plantas morreram. 75% de toda a vida da Terra foi extinta.

Cratera de Chicxulub, não muito após o impacto. (Crédito: Agência Espacial Mexicana)

Essa é a hipótese proposta em 1980 por Luiz Alvarez e seu filho e também geólogo Walter Alvarez. Até então havia várias outras propostas para a extinção dos dinossauros, de pandemias até erupções vulcânicas em cadeia.

O modelo dos Alvarez fazia bastante sentido, mas havia um problema: Eles tinham o crime, mas não tinham a arma do crime. Como costuma acontecer eles foram bem criticados e a hipótese não foi levada mais a sério do que outras.

Dois geofísicos da Pemex, a estatal mexicana de petróleo, Glen Penfield e Antonio Camargo fizeram pesquisas em 1978 procurando marca geológicas que indicam locais aonde há petróleo.

Eles usaram medidas gravitacionais para mapear o solo submarino, e quando analisaram dados da Península de Yucatan, obtidos em 1940, perceberam algo que os cientistas originais não haviam visto, provavelmente por não terem computadores capazes de gerar modelos tridimensionais em tempo real, ou provavelmente por não terem computadores.

Anomalia de Chicxulub (Crédito: United States Geographic Survey)

Os dados mostravam claramente marcas concêntricas indicativas de uma cratera de impacto, mas ela era enorme. Localizada perto da cidade de Chicxulub, a cratera ganhou seu nome.

São 150Km de diâmetro, e 20Km de profundidade. Só como comparação, mesmo sendo impossível visualizar mentalmente isso, a famosa Cratera do Meteoro, no Arizona, tem UM Quilômetro de diâmetro.

Cratera do Meteoro, Arizona (Crédito: Tsaiproject / Wikimedia Commons)

Quando os dados foram apresentados em um Congresso em 1981, pouca gente deu atenção, a PEMEX como toda boa estatal não liberou os dados para que outros cientistas confirmassem os cálculos, e solicitações de amostras minerais foram negadas, com alegações de que haviam sido perdidas ou destruídas. Os dois acabaram voltando pro trabalho normal.

Ao mesmo tempo um estudante da Universidade do Arizona, Alan R. Hildebrand publicou uma pesquisa detalhando as características do solo resultante de um mega-impacto, e começou a analisar amostras de solo de todo o mundo, chegando a descobrir que a parte com mais presença dos minerais previstos ficava na região do Caribe.

Ele começou um trabalho de detetive para tentar identificar o local do crime. Eis que em 1990, um repórter do Houston Chronicle comentou com Hildebrand sobre a pesquisa de Glen Penfield e Antonio Camargo. Imediatamente ele revisou os dados da região, e contactou a PEMEX atrás de amostras. Dessa vez eles foram prestativos.

As amostras de solo mostraram os exatos materiais gerados pela colisão de algo muito, muito grande. Distribuídos nas regiões certas, nas proporções certas. Um crime de 66 milhões de anos havia sido desvendado, infelizmente Luiz Alvarez havia morrido em 1988 e não viu sua hipótese se tornar um fato aceito pela comunidade. Mas não fique triste, ele ganhou um Nobel de Física em 1968, seus méritos eram bem reconhecidos.

E os Dinossauros na Lua?

No livro The Ends of the World, Peter Brannen cita uma conversa com o oceanólogo e geofísico Mario Rebolledo aonde ele descreve o impacto do Meteoro de Chicxulub, e faz uma consideração: O impacto foi tão forte que muito, muito material não só foi lançado na atmosfera, como atingiu velocidade de escape, se movendo rápido demais para ser recapturado pela gravidade terrestre.

Esse material era em sua maioria rochas, terra e água, mas no meio da imensa área de impacto havia uma boa quantidade de árvores, peixes e… dinossauros.

Como o campo gravitacional da Lua é respeitável, é possível, na verdade bem provável que parte desse material tenha sido capturado e caído na superfície do satélite.

Nada chegou vivo, mas ao mesmo tempo nada se decompôs. É possível que no futuro, quando astronautas em uma missão de colonização estiverem escavando os alicerces de nossas futuras casas, fábricas e laboratórios, encontrem um fragmento, ou mesmo um esqueleto inteiro de um T-Rex, e esse grito vai ser ouvido por todo o Sistema Solar.

E não, a hipótese de dinossauros na Lua não é astronomicamente improvável. Estamos lidando com Grandes Números, isso já aconteceu antes e pode acontecer de novo. Por exemplo, esta pedra:

Meteorito marciano NWA 7034 (Crédito: NASA)

É um meteorito, mas tem uma composição que não combina com meteoritos comuns. É uma pedra (pra irritar o SpaceToday) muito nova. Aos poucos outras parecidas foram encontradas, e em 1976 dados das sondas Viking mostraram que o solo marciano tinha uma composição bem parecida com essas pedras.

Depois disso foram encontrados bolsões de ar dentro da pedra. Análises de isótopos e composição mostraram ar totalmente compatível com as medições da atmosfera marciana também feitas pelas Viking.

A conclusão era óbvia: Aquela pedra havia vindo de Marte. Como? Bem, se não foram aliens, a hipótese mais provável é que um meteoro dos grandes atingiu Marte e lançou parte do planeta no espaço, e por uma imensa sorte, aquele pedaço vagou por milhões de anos até colidir com a Terra.

Improvável? Extremamente, mas no âmbito de milhões de anos há tempo pra muita coisa improvável acontecer. Tanto que não temos um, mas 207 meteoritos comprovadamente de Marte.

E sim, se é possível termos restos de dinossauros na Lua, também é possível que fragmentos tenham chegado até Marte. Mas não espalhe, vamos esperar o Elon Musk tomar um susto.

Fonte

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