Brilhos Fluorescentes em outros planetas podem revelar vida alienígena

Brilhos Fluorescentes em outros planetas podem revelar vida alienígena

12/08/2021 0 Por Jonas Estefanski

Nova técnica promete ajudar cientistas na busca por vida extraterrestre: observar a radiação ultravioleta que emana das estrelas vermelhas
Quando tratamos de detecção de vida em outros planetas são muitas as técnicas e abordagens possíveis. E agora parece que temos mais uma: analisar a radiação ultravioleta proveniente de estrelas vermelhas.

Mas como isso funcionaria? Bem, aqui na Terra essa faixa de radiação é absorvida por algumas espécies biofluorescentes, como muitas plantas e várias espécies de peixes e corais biofluorescentes. E esse brilho pode ser captado por filtros especiais.
Então se em outros planetas também existir algum tipo de vida parecido, poderíamos ver da mesma forma!

Claro que, por causa da distância, as coisas não seriam assim tão fáceis, mas os cientistas estão empolgados com a nova abordagem.
“Essa é uma maneira completamente nova de procurar vida no universo; imagine um mundo alienígena brilhando suavemente em um poderoso telescópio”, disse Jack O’Malley-James, pesquisador do Instituto Carl Sagan e principal autor da pesquisa publicada no Monthly Notices da Royal Astronomical Society.

Bioluminescência em plancton registrada em Porto Rico - Colourbox - P Grebenkin

Bioluminescência em plâncton registrada em Porto Rico.Créditos: Colourbox / P. Grebenkin / divulgação
Vale lembrar que bioluminescência é uma coisa e biofluorescencia é outra bem diferente:

  • Bioluminescência é a propriedade de seres capazes de emitir luz por si mesmos, como vaga-lumes, por exemplo, que captam o ultravioleta nocivo e emanam luz visível a olho nu;
  • Biofluorescencia é a capacidade de absorver a radiação ultravioleta do Sol transformando-a em comprimentos de onda inofensiva, gerando uma coloração invisível ao olho nu.

“Talvez essas formas de vida também possam existir em outros mundos”, afirmou a co-autora do estudo Lisa Kaltenegger, professora de astronomia e diretora do Instituto Carl Sagan.


A técnica se baseia na detecção de organismos biofluorescentes encontrados no fundo do mar pelo biólogo David Gruber. Ele conseguiu registrar o brilho de ao menos 180 espécies usando câmeras subaquáticas com filtro amarelo, que bloqueia a luz azul e revela a fluorescência.

Biofluorescência em corais registrada por David Grubber

Biofluorescência em corais registrada por David Gruber utilizando filtro amarelo,que bloqueia a luz azul e revela a fluorescência.Créditos: David Gruber
“Essa biofluorescência pode revelar biosferas ocultas em novos mundos através de seu brilho temporário, quando um clarão de uma estrela atinge o planeta”, disse Kaltenegger.

Segundo ela, o processo chamado biofluorescência fotoprotetora torna os raios ultravioleta absorvidos em comprimentos de onda mais longos e definidos, deixando um sinal específico pelo qual os astrônomos possam procurar.


Para determinar os parâmetros do sinal biofluorescente que eles podem encontrar em outros mundos, pesquisadores usaram características de pigmentos fluorescentes de corais comuns da Terra para criar modelos de espectros e cores que podem ser investigados em planetas que teriam condições de abrigar formas de vida.

E com uma nova geração de telescópios poderíamos detectar exoplanetas que contêm esse brilho, caso eles realmente existam. 

“É um grande alvo para a próxima geração de grandes telescópios, que podem captar luz suficiente de pequenos planetas para analisá-los em busca de sinais de vida”, completou Kaltenegger.

Imagens: (capa-ilustração/Galeria do Meteorito) / David Gruber / Colourbox / P. Grebenkin / divulgação