Cientistas fazem uma previsão chocante de um “evento de extinção triplo” que deve atingir a Terra
30/11/2025
A história da Terra está repleta de transformações dramáticas, e pesquisadores vêm estudando como essas mudanças moldam o futuro do planeta. Entre essas investigações, um grupo de cientistas da Universidade de Bristol apresentou um cenário que descreve como a vida, especialmente os mamíferos, pode desaparecer completamente daqui a centenas de milhões de anos.
Esses especialistas usam modelos avançados rodados em supercomputadores para projetar como o planeta deve evoluir. Um dos elementos mais marcantes dessas projeções é a formação de um novo supercontinente. No passado remoto, todas as massas de terra já estiveram unidas, formando o imenso bloco chamado Pangeia. Segundo os cientistas, esse processo vai acontecer novamente, dando origem ao que chamam de Pangeia Última.
Essa junção de todos os continentes não será apenas uma curiosidade geográfica. O movimento das placas tectônicas tende a intensificar a atividade vulcânica, lançando para a atmosfera grandes quantidades de gases capazes de elevar drasticamente as temperaturas. As simulações indicam que o planeta pode alcançar valores entre 40 °C e 50 °C em grande parte da superfície. Para os mamíferos, que dependem da regulação interna de temperatura, esse aquecimento extremo seria fatal.
Os autores do estudo explicam que essa combinação de fatores tectônicos, aumento de dióxido de carbono e características climáticas típicas de supercontinentes empurraria a Terra para um ponto crítico. Nas palavras deles, essa configuração tornaria o ambiente “inabitável” para formas de vida semelhantes às que conhecemos hoje.
Mas o calor não seria o único problema. A história geológica mostra que, após períodos de aquecimento extremo, podem ocorrer quedas bruscas de temperatura. Algo semelhante poderia acontecer novamente. Essa mudança rápida levaria a condições tão frias que provocariam necrose isquêmica, um processo em que os vasos sanguíneos se contraem de maneira intensa devido ao frio extremo. Para mamíferos, esse fenômeno seria devastador.
A soma desses três fatores — aquecimento severo, resfriamento súbito e altas concentrações de dióxido de carbono — forma o chamado “triple whammy”, um conjunto de eventos que deixaria o planeta incompatível com a existência de criaturas de sangue quente.
Embora essas transformações extremas estejam previstas para ocorrer apenas daqui a cerca de 250 milhões de anos, os cientistas alertam que isso não significa que a situação atual esteja tranquila. Eles ressaltam que, hoje, já convivemos com ondas de calor perigosas causadas pelas emissões humanas de gases de efeito estufa.
A pesquisadora Eunice Lo, especialista em mudanças climáticas e coautora do estudo, enfatiza essa preocupação: “Atualmente já estamos enfrentando episódios de calor extremo prejudiciais à saúde humana. Por isso, é fundamental alcançar emissões líquidas zero o quanto antes.”
O estudo, apesar de analisar um futuro extremamente distante, reforça a importância de compreender como o clima e a geologia do planeta interagem ao longo das eras e como ações humanas aceleram processos que antes levariam milhões de anos.

